Empreendedorismo social aplicado ao ambiente escolar

Entenda como uma ação de empreendedorismo social pode mudar a relação da escola com a comunidade e ainda proporcionar aos alunos uma rica experiência de vida.

Você tem problemas com alunos pouco solidários? Alunos sem objetivos?
Sabia que existe uma forma de combater as duas coisas ao mesmo tempo?

Empreendedorismo Social na Escola

Habitualmente lamentamos o fato de os jovens serem muito individualistas e pensamos como será o futuro de cada um deles.

A era em que eles nasceram e estão envolvidos, com os mimos da tecnologia facilitando a vida, tornou-os por um lado muito centrados no seu próprio ego e, por outro pouco empenhados em dar o melhor de si.
É por isso que faz cada vez mais sentido falar-se em Empreendedorismo Social em ambiente escolar.

O conceito empreendedorismo social surge e ganha validade em todos os momentos em que os países atravessam crises e a sociedade civil se antepõe aos Estados na resolução dos problemas sociais.

Pesquisas aprofundadas sobre o tema vão encontrar a sua origem numa Inglaterra do século XIX, quando pela Europa se fazem sentir os reflexos da Revolução Industrial, como o êxodo rural e o aumento desmesurado da população nas cidades e todas as consequências socioeconômicas negativas.

Empreendedorismo social é um termo que significa um negócio lucrativo e que ao mesmo tempo traz desenvolvimento para a sociedade. As empresas sociais, diferentes das ONGs ou de empresas comuns, utilizam mecanismos de mercado para, por meio da sua atividade principal, buscar soluções de problemas sociais. – Portal Brasil

Entende-se como projetos de empreendedorismo social todos aqueles em que o esforço cívico e solidário das populações vão suprimir as dificuldades sentidas por setores mais frágeis da sociedade, como campanhas de angariação de alimentos ou roupas, vendas de Natal, campanhas de doação de sangue, entre outras.

Em que momento este tipo de iniciativas fazem sentido em ambiente escolar?

A resposta a esta questão é mais ampla do que parece numa primeira abordagem. De fato, a tecnologia chegou e facilitou a vida das pessoas. Os jovens, hábeis com os computadores e redes sociais, não são indiferentes ao seu uso e abuso.

O celular e a internet, os meios de comunicação mais populares entre os alunos de diversas faixas etárias, os afastam da interação física e criam relações sociais fictícias, fechando cada vez mais os jovens no seu individualismo.

Esta nova forma de vida leva a uma falta de preocupação com os problemas dos outros e ao empobrecimento dos valores de solidariedade. Em uma escola onde seus agentes atuam como meros estranhos, criam-se guetos e surgem problemas sérios como o bullying e a indisciplina escolar, por exemplo.

Portanto, é extremamente urgente envolver os alunos em causas que têm de trabalhar em equipe para resolver problemas reais. Assim, faz sentido envolver os alunos em projetos de empreendedorismo social, uma vez que nestes projetos deve existir o envolvimento e interação física entre seus agentes.

Por outro lado, a tecnologia tem facilitado a vida das pessoas e isso não é diferente na escola. Os alunos se tornaram filhos de uma sociedade insensível e sem sentido de esforço para alcançar suas aspirações.

Projetos sociais que envolvam os alunos, para além do contato entre si, na busca de soluções, na angariação de fundos, de patrocínios, de autorizações de direções de instituições, entre outros, fazem todo o sentido em ambiente escolar e para o crescimento do aluno como pessoa.

E o seu valor ganha força, na medida em que despertam e desenvolvem no aluno o espírito empreendedor, tão valorizado no mercado de trabalho e tantas vezes descuidado no currículo escolar.

Os conhecimentos envolvidos em projetos de empreendedorismo social

A aprendizagem abrangente e integrada pressupõe que as atividades que a escola oferece aos seus alunos têm em mente todos os seguintes princípios:

Conhecimentos assertivos, que se referem aos temas, teorias e conceitos transmitidos pelas diferentes disciplinas;
Conhecimentos morais, relativos à formação de atitudes e valores;
Conhecimentos procedimentais, definidos como a capacidade de executar.

O ideal será o de proporcionar aos alunos atividades que abordam estes três tipos de conhecimento e não há nada melhor do que colocá-los em ação. Claro, envolvidos em projetos que permitem o crescimento não só como estudantes, mas também como cidadãos. Cidadãos mais solidários e empreendedores!

Como fazer um projeto de empreendedorismo social na escola?

Qualquer projeto requer um plano e fases. Em todas essas fases o acompanhamento dos professores é a chave (especialmente nos grupos etários mais jovens):

  • Tema unificador – nesta fase é escolhido o setor da sociedade para beneficiar do projecto (idosos, crianças, pessoas sem abrigo, vítimas de violência doméstica, os refugiados, etc.) e a (s) associação (s) de caridade que se ocupa do setor escolhido; Uma boa idéia é apoiar uma instituição ou organização próxima à escola.
  • Da idéia ao planejamento – Aqui se define uma equipe organizadora (pode incluir alunos, professores e Direção) e as atividades a serem realizadas para levantar fundos ou bens (concursos de dança, saraus literários, torneios de xadrez, desfiles de moda, etc.); abre-se “concurso” à participação das turmas interessadas mediante formulário próprio que pode passar pelas salas de aula (o que deve conter os seguintes tópicos: designação da atividade; agentes envolvidos, monitoramento de atividades, recursos humanos e materiais, definição de datas); e as diferentes propostas vão à aprovação da Direção da escola;
  • Do planejamento para a ação – As propostas aprovadas passam para a fase de divulgação (cartazes na escola, facebook e página da escola). Os alunos aqui podem precisar fazer pedidos formais a agentes fora da escola (tais como governos, empresas, grupos artísticos ou desportivos, etc.) e aqui podem desenvolver a sua capacidade de lidar com situações formais, incluindo comunicação formal (oral e escrita). Desenvolvem a sua atividade ao aprovar as datas e, mais importante, seja para participar ou assistir, todos os estudantes podem doar alimentos ou bens de higiene pessoal, que depois serão doados para a associação instituição de caridade escolhida na primeira etapa;
  • Da ação para resultados – A equipe organizadora está encarregada de recolher os bens doados e enviá-los para a associação escolhida. Em todos estes passos são aplicados conhecimentos transversais de diferentes disciplinas, neste momento os alunos podem aprender a lidar com planilhas do Excel, por exemplo, ou fazer uma história com script, vídeo e edição para exibir os resultados;
  • Dos resultados para a avaliação – Passa por uma auto avaliação, em que todos os envolvidos têm de preencher um formulário com a avaliação da atividade. Nesta fase também se produzem notícias para o site ou facebook da escola, e assim os alunos desenvolvem conceitos de Português.

Tabela de apoio

Uma vez todo o projeto pensado e planejado, você pode usar uma planilha como essa abaixo para dar apoio ao seu projeto. Lembrando que o ideal é que você faça todas as modificações necessárias antes de usar, já que cada projeto é diferente do outro, mas serve de exemplo:

Conclusão:

Partilhando a ideia de que a aprendizagem de saberes pressupõe uma atitude perante a ação, o planejamento e a construção de projetos escolares de empreendedorismo social são por isso ativo de aprendizagem prática.

Então o aluno aprende fazendo.

Um fazer com base na experiência e contextualizado em experiências sociais e a oportunidade de transferência de conhecimentos entre a sala de aula e o meio envolvente da escola.

Isso proporcionando maior integração entre teoria e prática, bem como a integração do aluno perante os problemas sociais à sua volta.

Cansou de procurar atividades e não encontrar? Veja minha apostila pronta.

Para saber mais:

  • PARENTE, C., COSTA, D., SANTOS, M., & AMADOR, C. (2013). Empreendedorismo social: Dos conceitos às escolas de fundamentação. As configurações de um conceito em construção. Work in Progress in Empreendedorismo social em Portugal: As políticas, organizações e as práticas de educação/formação. Porto: FLUP
  • SENGE, PETER (1990). A Quinta Disciplina: arte e prática da organização que aprende. Rio de Janeiro