Um Conto de Natal – MARICOTA QUERO-QUERO

Eu estava xeretando uns emails velhos e achei um conto de Natal muito legal para ler para as crianças.

conto-natalino

O mais legal é que ele fala de uma situação que muitos pais e também professores devem vivenciar, que são as crianças que pedem de tudo, querem tudo, mesmo já tendo todo tipo de brinquedos, roupas e sapatos que alguém poderia ter e querer.

Claro que muito disso faz parte da educação dada pelos pais, alguma influência da TV e os produtos que realmente são muito apelativos para as crianças, com as cores e caixas coloridas.

Outra ideia legal é trabalhar esse conto de Natal também lembrando do sistema monetário e ensinando de onde vem o dinheiro.

Bom, chega de só falar, pega uma bebida gostosa, senta num cantinho e leia esse conto natalino.

MARICOTA QUERO-QUERO

O Natal está chegando,
É um corre-corre só,
Nas ruas e pelas lojas,
Fala-fala, anda anda , um zum-zum-zum de dar dó.

Me dá isso, me vê aquilo
Vendedores apressados
Correndo que nem esquilos
Para atender toda aquela gente
E seus anseios por presentes

Maricota é uma dessas garotinhas
Que quando vê novidades quer comprá-las todinhas.
-Quero aquela bicicleta,
– Também a boneca,
– Quero aquele patins
– E o urso que come amendoins…

E quando lhe dizem não,
começa a confusão.
Chora, faz birra, esperneia,
Sempre acaba se jogando no chão.
Gritando inconformada, termina atraindo os olhares da multidão.

A mãe se justifica desesperada,
– Não posso com essa menina !
– Culpa da televisão! – diz o pai com cara amarrada.

Quem observa pensa consigo.
-Essa criança precisa é de castigo!

A mãe adivinha pela cara do indíviduo e pensa
– Vá cuidar do próprio umbigo!

Outro sem saber o que passa,  faz sua interpretação,
– Será que estão batendo nela , pais assim ninguém precisa não!

Maricota continuava a insistir
Queria tudo o que via, não adiantava querer na sua intenção interferir,
ou mesmo negociar, pois no pensamento dela tudo podia levar,
A mãe nem reação mais tinha, sabia que ela não iria desistir,
Já concordava aflita, sabendo que grande dívida teria que adquirir.

Maricota vibrou com a decisão.
E saiu com cara feliz,
De uma grande atriz que ganha o oscar por linda interpretação.
Parou de chorar no mesmo instante,
Imaginando todos aqueles brinquedos no quarto, lá na sua estante.

Lembrou que para guardar os novos ,
Outros teriam que ceder o seu lugar,
Eram tantos que já nem sabia mais onde colocar.
Os pais sem atitude eram mesmo os seus reféns,
Logo enjoasse daqueles começaria tudo outra vez.

Os pais precisavam urgentemente de uma solução,
Se continuassem a ceder as tentações da filha
Acabariam na miséria sem poder comprar-lhe nem mesmo um pedaço de pão .
– Será que a solução seria proibir a televisão ?
Mas lá estava a mídia apelando em todos os lugares,
Com seu lindo e estratégico poder de convicção.

Então, qual  seria a sua condenação?
– Punir aquela criança melhoraria a situação?
Palmada? Castigo? Ou explicação ?
Maricota no seu pensamento infantil não entendia o porque de tanta aflição,
Se tanta coisa bonita existia, porque ela  possuí-las não podia.?

Como dar aquela criança uma boa educação ?
Já estavam todos  cansados daquela situação.
Um amigo sugeriu um diálogo aberto e franco,
– Afinal, são crianças mas já tem compreensão …

O pai começou a conversa com muita delicadeza na hora da sobremesa.
– Maricota, você sabe o que é uma moeda ?
– É uma bolinha achatada, pesada que serve para comprar coisas.
– E são todas iguais ?
– Umas grandes, umas pequenas, mas acho que tanto faz…
– Então não sabe que cada uma tem diferente valor ?
– Valor ? Não sei o que é isso, tem algo haver com “vapor” ?
– Até poderia fazer essa comparação, pois na sua mão entram mesmo em ebulição…mas valor é o preço que se dá as coisas.
– E porque tenho que aprender isso agora ?
– Porque dar valor corretamente é  muito importante senhora!
– De onde vem as moedas?
– É fruto do nosso trabalho…
– Então nascem mesmo em árvores, pois se são frutos , onde fica essa árvore “trabalho”?
– Trabalho é uma ação útil que se presta a alguém, e a moeda é o valor que alguns trabalhos tem.
– Melhor parar com essa conversa e sairmos para comprar, chega desse nhê-nhê-nhém.
– Dinheiro não nasce em árvores e é dificil ganhar, por isso sem desperdícios temos que também aprender a economizar, para na necessidade não ser pouco e não faltar.
– Vou te fazer uma proposta, para ganhar suas coisas terás a partir de agora que ajudar a mamãe e por cada trabalho bem feito uma moeda vais ganhar…
– Porque? não é melhor uma empregada contratar ?
– Não temos dinheiro para isso agora…empregadas custam e também porque tens que aprender a colaborar, e com o dinheiro ganho então sim, poderás  suas coisinhas comprar.

Apesar de contrariada com aquela decisão, a pequena Quero-Quero não podia deixar de pensar, em quantas coisas compraria com a recompensa que iria ganhar, quem falava mais alto dessa vez, era a sua ambição.

A mãe olhou para o pai e entendeu a  intenção,
Pediu a filha que arrumasse o quarto,
Que organizasse os brinquedos e as bonecas,
Tirasse o pó da casinha,
E desse uma mãozinha na cozinha,
Que fosse lhe colher flores lá no jardim,
Rosas, margaridas, miosótis e jasmins,
Depois as plantas regaria,
E se o trabalho fosse concluido, lá no final do dia,
As moedas receberia.

Já no primeiro trabalho a menina sentou e reclamou,
– Estou cansada, são muitas bonecas para arrumar !
Então respondeu a mãe.
– Pois se achas que já tens muitas, porque outras quer comprar ?
Mesmo com muita reclamação, continuou a arrumação.
Pareciam mesmo que as bonecas não acabavam mais , e pensou.
– A mamãe tem razão , bonecas, não vou mais pedí-las pois já tenho demais.

E assim, quanto mais arrumava, mais brinquedos surgiam,
Eram tantos que parecia que aquilo não teria mais fim e lembrava que ainda nem tinha colhido os tais jasmins.
As moedas em sua cabecinha pareciam tilintar,
tinha visto uma sandalinha e não podia deixar de comprar.

No final do dia, exausta, tinha terminado as suas funções.
pegou as moedas com o pai e convidou a mãe para irem ao shopping pois precisava urgente fazer algumas aquisições.
– Está bem, mas já vou avisando , desta vez sem confusões !
Contente por ter ganho o próprio dinheiro, colocou em pequena bolsa e foram em excursão.
Entrou na loja toda prosa, e já foi logo pedindo o sapatinho para a vendedora, que lhe serviu atenciosa.
– Gostei vou levar essa…
– São trinta reais senhorita.
– Aqui estão …disse toda orgulhosa , jogando as moedas no balcão.
– Sinto muito Senhorita, mas aqui tem quatro reais apenas…
A menina olhou para a mãe aflita, esperando a sua contestação.
Mas a mãe balançou a cabeça em sinal de afirmação.

– Mãe , e o resto ?
– Sinto muito, minha filha, mas estou sem nenhum tostão .

A garotinha entendeu enfim o recado que os pais quiseram lhe dar.
O trabalho geralmente é árduo e o dinheiro é dificil de ganhar.
Sem trazer a sandália, continuava feliz pois aprendera a lição.
Valorizar é preciso, colaborar também
Quantia que não se ganha com o próprio suor , não se sabe o valor que tem.

Guardou o dinheiro na bolsinha, e prometeu que iria continuar a ajudar, se a mãe não pudesse pagá-la não teria problema, pois sabia que quando ela pudesse os presentes não negaria.

Em casa o pai as esperava com um delicioso jantar,
Como a operação “valor” tinha obtido o sucesso esperado,
Nada mais justo e certo do que comemorar com afeto e um franguinho bem temperado.

A mãe pegou as flores colhidas pela menina e a mesa foi enfeitar.
Tão belas! Um lindo buquê de jasmins, rosas brancas e amarelas.

– Olhe minha filha, para essas flores, sente o perfume dos jasmins ? Acredite, que embora tão perfumados, amanhã já estarão estragados.
Assim também são as pessoas que valorizam demais as suas aparências, aquelas tão egoístas que tudo querem possuir somente para sí, embora por fora  tão lindas e perfumadas muitas vezes também já estão com as almas estragadas.
– Com almas simples, perfumes suaves  e sempre graciosas, as rainhas de todas as flores sempre foram as rosas .
– Mas as rosas tem espinhos, que podem nos machucar !
– São como pequenos lembretes que Deus colocou alí,  para alguns pode parecer uma forma injusta de imperfeição, mas para outros podem ser vistas como uma forma de proteção.
Com nossos espinhos, a verdade é que temos que aprender, a
viver com humildade, saber fazer caridade, e reconhecer a felicidade no que Deus nos deu por quinhão.

E foi assim que Maricota Quero-Quero cresceu responsável  e nunca mais foi preciso chamar-lhe a atenção.

(Paty Bolonha – 2007- Respeite a Autoria)

Conclusão

E aí, gostou? Que tal dar mais uma olhadinha nas diversas atividades de Natal que separamos pra você? Clica aqui pra ler.

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Um grande beijo e abraço de Natal, e não esquece, estaremos com você nas volta às aulas, cheios de novidades!